2026/03/13
Está decorrido um mês da madrugada de dia 28 quando a tempestade Kristin nos atingiu de forma implacável e destruidora. Durante estes dias as prioridades têm evoluído de acordo com a situação que se vive em cada concelho, freguesia, aldeia ou família.
Primeiro foram os acessos, rapidamente quase todos desimpedidos, permitindo a circulação, a assistência urgente e alguma actividade económica que tem de continuar e/ou recomeçar.
De seguida os telhados e a segurança das habitações. A generalidade das situações estão reparadas ou pelo menos remendadas permitindo à maioria das pessoas prosseguir com as suas vidas. Neste âmbito as seguradoras deverão assegurar a generalidade das situações e o Estado, central ou local, terá de estar atento aos restantes casos para poder intervir.
A luz elétrica, sem a qual não somos capazes de desenvolver um quotidiano normal, está reposta na maioria do território, em muitos sítios de forma provisória, sendo necessário muito tempo para que esteja tudo refeito ou feito de forma mais resistente e duradoura.
Pelo que me apercebo, a maior preocupação da generalidade da população a esta data será a falta de telecomunicações, internet ou televisão, em muitas zonas do território. Muitas empresas foram obrigadas a adquirir novos equipamentos para garantirem a sua operacionalidade, pondo a nu as fragilidades das redes atuais e a necessidade de serem repensadas no futuro.
A este propósito o Município de Pombal e as Juntas de Freguesia do nosso concelho, fizeram um comunicado em que apelam aos operadores que tomem as medidas necessárias para a reposição integral das redes fixas e móveis em todo o concelho. A reposição destas situações pode ser tecnicamente complexa variando consoante o serviço ou a circunstância específica.
O dever dos autarcas é estar ao lado das populações mas também é o de ser honesto, transparente e responsável. Em qualquer das áreas afectadas pela tempestade há problemas que podem ser resolvidos de forma mais rápida e outros que pelo seu custo ou complexidade técnica demoram muito mais tempo.
Nos últimos dias foram várias as publicações / notícias do Município e do seu Presidente, entretanto regressado ao activo, que se enquadram nesta minha reflexão e que mereciam uma dissertação exaustiva fosse outro o espaço disponível. O destaque vai para o anúncio de um livro com as experiências traumáticas da população, a suspensão e reprogramação de eventos culturais e ainda a criação de um programa “Renascer e Avançar Pombal” pasme-se inspirado na obra do Marquês de Pombal!
No início desta semana em reunião da CIMRL, Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, com a presença do Ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz, o presidente do nosso Município Pedro Pimpão, terá alertado para a necessidade de se retomarem as obras do IC2, suspensas por razão desconhecida, muito antes da tempestade. A este propósito tenho duas perguntas para fazer:
- qual a razão para a suspensão das obras?
- está incluído no projeto de reabilitação entre Meirinhas e Pombal a construção de um canal técnico que faça desaparecer os postes de ambas as margens da estrada precavendo situações futuras? Não seria muito positivo incluir esta melhoria na revisão do projecto?
Mais do que propaganda os tempos são de ação, de resolução dos problemas das pessoas e de preparação do futuro. Alguns investimentos terão que ser repensados ou adiados, como sejam os parques verdes, outros antecipados como seja o pavilhão multiusos considerando o estado de destruição da Expocentro.
Em todos os dias decorridos desde a tempestade tenho tido repetidamente um pensamento: “que sorte a nossa da tempestade ter sido de madrugada”.
Para bem do nosso futuro colectivo faço votos que se tenha aprendido alguma coisa com o sucedido e que existam verdadeiras mudanças na sociedade, incluindo na forma de fazer política.
Telmo Lopes
Presidente da concelhia de Pombal do CDS-PP