Telmo Lopes: O cravo vermelho

OPINIÕES


Nas celebrações oficiais do 25 de Abril realizadas esta semana na Assembleia da República, um determinado deputado apresentou durante o seu discurso um cravo de cor verde, cor da esperança.    Com este gesto,  terá pretendido homenagear os emigrantes e todos os Portugueses que têm sido esquecidos pelo atual regime, o qual não lhes permitiu que alcançassem alguns dos seus direitos básicos. No fundo, acredito que o principal objetivo com mais este número teatral foi o de sobressair e de ser tema de conversa. Avancemos!

Nunca usei cravo em cerimónias do 25 de Abril. Esse meu gesto ponderado e livre não representa qualquer falta de respeito por todos os que lutaram pela liberdade, pela mudança de regime, pelos direitos das mulheres, por maior igualdade social e por mais direitos laborais. Respeito todos os que lutaram e lutam por estas causas, mesmo que com ideais diferentes dos meus, desde que na sua prática diária respeitem a liberdade individual de cada indivíduo e que não defendam ou desculpabilizem qualquer forma de regime autocrático.

Não uso cravo nas celebrações por  respeito a todos os que sofreram, nos tempos a seguir à revolução, com os excessos e ilegalidades cometidos por uma minoria que se considerava dona da revolução dos cravos.
A 25 de Abril de 1974 Celeste Caeiro tinha 40 anos e era empregada de mesa no restaurante Sir, junto ao Marquês de Pombal em Lisboa.

Esse restaurante celebrava o seu primeiro aniversário e por isso tinham sido comprados vários molhos de cravos para oferecer às senhoras clientes, estando reservado um cálice de Porto para os cavalheiros.
Quando chegou ao trabalho naquele dia encontrou a porta fechada. O patrão mandou-a regressar a casa uma vez que estava em curso uma revolução, dizendo-lhe para levar as flores para não se estragarem.
Quando naquele dia decidiu distribuir os seus cravos pelos militares, estava longe de pensar que os soldados os colocariam nas espingardas e que viria a ser esse o símbolo da revolução.

Celeste, filha de uma espanhola de Badajoz e de Pai desconhecido, cresceu na Casa Pia juntamente com dois irmãos mais velhos.

Anos mais tarde, no incêndio do Chiado, viria a perder a casa e todos os seus pertences, incluindo as suas fotografias que arderam juntamente com as restantes recordações.
Faleceu em novembro de 2024, aos 91 anos, deixando um legado que continua vivo todos os anos, sempre que se celebra o 25 de Abril.

Em resumo, os cravos vermelhos tornaram-se símbolo do 25 de Abril graças a Celeste Caeiro e ao seu patrão. 
O cravo vermelho não foi escolhido para tal. Podia ser outra flor ou podia ser de outra cor, mas não, o destino quis que fosse vermelho.

Para os que pensam que o cravo é vermelho por ser um símbolo de esquerda, socialista ou mesmo comunista, estão equivocados.

Por isso, caros amigos, quem quiser usar cravo na lapela ou levantá-lo no alto que o faça, mas com a cor adequada.

Viva a Liberdade, viva Portugal!

Telmo Lopes, Presidente da Concelhia do CDS-PP de Pombal 

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