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2026/08/10

Telmo Lopes: Rigor ou Hipocrisia

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O mês de Julho que agora termina fica marcado ao nível da actualidade nacional por dois casos políticos de contornos bastante distintos mas de grau de polémica semelhante. Em ambos os casos, a demissão dos ministros em causa foi exigida, vezes sem conta, por dirigentes partidários e comentadores, porque segundo eles, esses governantes não tinham as condições necessárias para prosseguir em funções.

O ministro da Educação tinha que sair por suposta incompetência e grande irresponsabilidade ao ter colocado em prática um sistema de avaliação que estaria pouco testado ou talvez mal estruturado. A sua competência técnica, mérito profissional ou capacidade reformista não teriam qualquer importância perante o “caos” da situação vivida. Desejo que as restantes fases de exames e o início do próximo ano lectivo decorram com o mínimo de sobressalto, permitindo que este  Ministro da Educação, que conseguiu há dois anos um acordo com os professores para a reposição do tempo de serviço congelado, possa continuar o seu trabalho.

O ministro da Administração Interna enquanto desempenhava a função de Diretor Nacional da Polícia Judiciária (PJ), terá cometido falhas graves e alguns crimes, incluindo abuso de poder e descaminho, usando em benefício próprio a sua relação pessoal com um empreiteiro que fazia trabalhos para a PJ e comprometendo provas criminais relevantes. Sobre todo este enredo o ministro deu hoje as explicações que entendeu necessárias, devendo agora regularizar as situações pendentes como sejam o caso do licenciamento da obra em Odemira.

Uma das acusações que lhe foi feita foi o de ter comprometido provas criminais muito importantes, colocando em causa a condenação de um grande traficante de droga. Ao que parece essa prova já tinha tido ordem de destruição.
Espero que consiga prosseguir o seu trabalho à frente da administração interna, efectuando as muitas mudanças e investimentos que são necessárias em termos de protecção civil, forças de segurança e segurança rodoviária.
Enquanto director da PJ terá realizado um bom trabalho na gestão da instituição, reforçando meios e alcançando resultados, no entanto, terá sido  imprudente e agiu com ligeireza em algumas situações agora conhecidas.

Atualmente vivemos tempos confusos em termos comunicacionais. A proliferação das redes sociais e a sua importância mundial levaram a comunicação social dita tradicional a optar pelo mesmo diapasão, da notícia polémica, mal confirmada ou averiguada, baseada em denúncias ou factos mal esclarecidos. Televisões, rádios e jornais, principalmente na sua versão on-line, trocaram o rigor pela procura de audiências. Muitas vezes o que comanda a vida não é o sonho mas sim o dinheiro e esse facto não permite jornalismo rigoroso, feito com tempo e ponderação.

O escrutínio das funções públicas é necessário e a comunicação social deve fazer o seu trabalho, no entanto isso não deve implicar “queimar” as pessoas em lume brando.
Neste momento para parte da população, o ministro Fernando Alexandre é um incompetente, e o Ministro Luís Neves um ladrão sem vergonha que só está lá para encher os bolsos e que já devia estar preso.
Infelizmente, o que falta em rigor à nossa sociedade vai sobrando em hipocrisia.

Telmo Lopes
 

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