Paulo Oliveira: De que falam os pássaros?

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Num mundo obrigado a abrandar, retoma-se as rotinas com hábitos restritos, afastamento físico permanente e introdução de novos adereços ao traje social. Será que vamos redireccionar o caminho ou voltaremos aos mesmos trilhos e comportamentos incorrectos? No isolamento, do lado de dentro da janela apreciámos habilidades nunca antes vistas de alguns animais selvagens que se aproximaram e vieram explorar o nosso meio, chegar mais próximo do movimento humano, que ate agora não era possível alcançar sem ser detectado.
Foram muitas as notícias e partilhas que demonstravam a readaptação da natureza, enquanto o mundo abrandou e deixou de fustigar a natureza com hábitos a poluentes. Na verdade, a terra aproveitou este período para se recompor, curar e reequilibrar da doença que á muito alertava, uma linguagem que o Homem deixou á muito de a compreender. Num mundo em que o desenvolvimento humano e a sua velocidade abranda o crescimento dos restantes seres vivos, estes aproveitaram os recursos criados na epidemia para se brotarem e usufruírem da liberdade condicionada no seu habitat.

Da janela, observamos as acrobacias dos pássaros, usufruímos do seu chilrear enquanto acordávamos de manhã sem pressa, sem obrigações rotineiras. Ao ouvir o chilrear dos pássaros, num primeiro instante não entendemos o que eles querem transmitir, mas se deixarmos tocar pela sonoridade do seu canto, não necessitamos de palavras para traduzir os sentimentos e as emoções que nos invadem. Lá no alto, pássaros cruzam-se nos céus orientados pela intuição e pela natureza, uma ligação entre os céus e a terra, uma Liberdade apenas sustentada pelo ar. Nos fios de electricidade suspensos, pousam pássaros observando a rotina eufórica e stressante do homem, com uma questão inteligente e analista, afinal “Qual é o sentido da vida?”. Em verdade, eles aproveitam o seu tempo de vida da melhor forma e de maneira saudável, aproveitando cada momento e oportunidade, não se prendem a obrigações nem aprovam sujeições.

Nós de uma forma mais racional, restritos pelos regulamentos que nos impõem, continuamos a ouvir os mesmos ruídos, sons que já não nos encantam, falam todos ao mesmo tempo cada um o seu assunto e á sua maneira, o desgaste energético é imenso, uma vez que ainda não se redefiniu a direcção. Como vivemos e queremos viver se nos conformamos com uma vida apertada e precária?
N’ “A Assembleia dos Pássaros” motiva-nos a levantar voo e a desprender de tudo o que nos amarra, enfrentar as tempestades, a seguir uma só direcção alcançando um objectivo comum, porque os verdadeiros monarcas da nossa vida somos nós.

Artigo publicado na edição do jornal de Maio

Pavlos Jorge

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