O Conde e o Reino, e depois da Pandemia?

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Venho de novas a este abrangente Jornal das terras do Oeste, entre o mar e a serra, por senhorios de Pombal e Figueira da Foz, a convite do seu amável e bem sucedido diretor que iniciou este jornal e o fez expandir por estas freguesias , dando novas do que pelos nossos povoados acontece, muito mais numa perspetiva noticiosa do que política, ao que sei com muitos leitores emigrados, mas sempre interessados no que nas suas terras acontece.
Iniciando agora uma colaboração regular, espero ir ao encontro das expetativas que pressupõem o convite e contribuir para a manutenção da qualidade da informação, sendo certo que a forma de intervenção deste vosso conterrâneo é essencialmente de opinião sobre assuntos, que a uma grande maioria podem interessar e, que irei tentando abordar nos mais oportunos momentos.
Com alguma experiência autárquica e correspondente intervenção política, na área social democrata, será normal que aqui e ali emita opiniões mais desse domínio que tentarei serem mais ilustrativas do que propriamente interventivas para não desvirtuar linha editorial do jornal.
As opções de sociedade deste vosso escriba defendem a justa distribuição do rendimento por todos, com enfase na vertente social e na inclusão ativa dos menos favorecidos e ainda a busca continua dos mecanismos políticos que melhor as possam garantir, sem o que a sociedade não poderá evoluir.
Ora, foi esta exposição pública que deu origem à alcunha de “Conde do Oeste” por uma certa opinião crítica das redes sociais locais, que gosta muito de usar este tipo de epítetos nobiliárquicos para assim tornar mais mordazes as suas intervenções. Sinceramente foi coisa que nunca me ofendeu e que, após algumas insistências na sua utilização acabei por achar alguma utilidade ao seu uso, adotando a alcunha agora promovida a pseudónimo, por dois motivos, a saber:
O primeiro prende-se com a vantagem de usar um título sugestivo para estes artigos que, de alguma forma, lhes dê uma uniformidade na intervenção e alguma habituação na leitura.
O segundo pretende dar corpo a uma forma de intervir com “nobreza” dos princípios, da intenção solidária, do interesse social e da atitude humilde que sempre coloco na minha relação com o mundo. É esse o real “Conde” e nada tem a ver com pretensões elitistas ou arrogâncias de linhagem que nos nossos dias já não fazem sentido.
O Reino, claro, é essencialmente o País e o mundo, com algum deslumbre por estas nossas terras onde vivemos e por isso mais perto do nosso coração.
Posta a introdução passemos ao assunto do momento, que todos falam e que a todos afeta, a epidemia, a reclusão forçada de todos, o estado de emergência, tudo o que vai passar mais à frente mas deixar também profundas marcas.
Ora, havendo agora uma profusão de notícias e opiniões sobre o momento atual e sua evolução próxima, prefiro então falar sobre o que esta experiência, única de uma vida espero eu, poderá ditar nas alterações de políticas sociais e económicas jamais imagináveis possíveis nos tempos ante Pandemia, mas que poderão dar um novo fôlego e esperança a uma sociedade humana condenada a médio prazo.
Esta experiência, ao mesmo tempo, sobre toda a espécie humana, atingindo-a de forma muito mais marcante do que qualquer guerra antes alguma vez conseguiu, que sem tiros nem bombas obrigou uma sociedade gregária a adotar padrões de vida desagregados, permitiu comprovar que, apesar de todos os inconvenientes, contratempos e prejuízos, a sociedade mundial e os seus governos, com as razões certas e comuns, é capaz do impensável e parar todo o tráfego automóvel, de aviação e marítimo, todas as fábricas e atividades económicas e ainda encerrar todos em casa de forma perfeitamente pacífica, porque todos compreenderam bem a mensagem e que é o perigo de vida generalizado e do qual quase não há fuga para ninguém.
Ora, de forma muito mais lenta, mas inexorável nas consequências, a atividade humana na sua voracidade de crescimento económico sem limite tem, pelo uso excessivo dos recursos, vindo a aumentar a instabilidade climática desta frágil esfera celeste onde vivemos e que só alguns têm noção mais exata do que é.
Vou aqui dar uma ideia aos leitores que todos compreenderão: Quem não gostaria de ganhar o Euromilhões? E quem o ganhasse faria o quê? Torrava tudo em excentricidades ou passaria a uma vida mais folgada, mas com inteligência geriria a fortuna de forma a ter sempre uma liquidez confortável? A maioria concordará que o recomendável seria a segunda hipótese.
Pois bem, para quem nunca pensou nisso, o planeta em que vivemos é só o Euromilhões do Universo e se por acaso não fosse também não estaríamos aqui para o constatar, mas existindo temos obrigação de tomarmos conhecimento do facto e perceber que sem estas condições paradisíacas de funcionalidade e estabilidade do planeta, num universo onde reina o vazio, e onde a regra são condições extremas de temperatura, raios cósmicos e ameaças de colisões planetárias catastróficas, ou seja um mundo inóspito impróprio para qualquer existência biológica, teríamos uma existência impossível!

Pois infelizmente julgamos inesgotável este “Euromilhões” em que temos todos vivido e consideramos imutável, mas que efetivamente se está a esgotar e a variar, com a atitude do excêntrico que consome tudo o que há para utilizar desvalorizando os sinais, cada vez mais prementes, de que afinal nada é garantido, nem definitivo e muito menos sem alguma regra.
Por vezes há males que vêm por bem, porque fazendo mal a muitos acaba podendo fazer o bem a muitos mais, e daqui termino com duas conclusões e um desejo:
Primeiro, que o benefício para o ambiente pela paragem forçada de todas as emissões de gases industriais, dos meios de transporte e geração de energia nestes 2 meses em todo o mundo permitirão salvar muito mais vidas e por mais tempo do que aqueles que a epidemia reclama;
Segundo, que afinal os governos do mundo inteiro conseguem concertadamente implementar medidas difíceis, sem bombas nem tiros, que poderão prevenir e inverter o agravamento das alterações climáticas e da sobre-exploração dos recursos, sem o que caminharemos insensatamente para o fim.
O desejo passa pela exortação a todos os nossos governantes, em todas as hierarquias de poder, para se consertarem e agirem da forma necessária para que o mundo encontre uma nova orientação que deixe mundo para as gerações futuras.

Publicado na edição em papel de 8 de Abril

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